Um surto de peste devastou comunidades de caçadores-coletores no sudeste da Sibéria há aproximadamente 5.500 anos, deixando dezenas de mortos. Essa é a conclusão de um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
O geneticista especializado em DNA antigo Ruairidh Macleod e sua equipe lograron sequenciar o material genético da bactéria Yersinia pestis encontrado nos dentes de vítimas enterradas em quatro cemitérios arqueológicos localizados na região do Lago Baikal, na Rússia. A descoberta representa o mais antigo surto de peste já identificado pela ciência, com a cepa mais antiga da bactéria já sequenciada até o momento.
Até recentemente, os especialistas em evolução de doenças possuíam duas concepções principais sobre a origem da peste. A primeira hipótese defendia que as cepas mais antigas do microrganismo não possuíam as características genéticas necessárias para serem verdadeiramente letais. A segunda teoria afirmava que a doença começou a ameaçar os humanos somente quando os primeiros agricultores se estabeleceram em comunidades urbanas densamente povoadas, compartilhando espaço com ratos e animais domésticos.
O novo estudo muda completamente essa compreensão, demonstrando que a peste já circulava entre populações de caçadores-coletores muito antes do advento da agricultura e da urbanização. A tragédia que atingiu essas comunidades antigas representa agora o marco inicial conhecido da história da peste na humanidade.
Fonte: Ars Technica
