Um relatório do órgão de fiscalização do Congresso dos Estados Unidos colocou em xeque as principais alegações de economia divulgadas pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), vinculado ao governo do presidente Donald Trump. A investigação concluiu que a chamada 'Parede de Recibos' do DOGE — vitrine usada pela pasta para publicizar supostos cortes de gastos — não apresenta documentação suficiente para confirmar a maior parte dos valores anunciados.
O documento foi elaborado pelo Escritório de Responsabilidade Governamental (GAO), braço de auditoria e investigação do Legislativo americano, a pedido dos senadores Gary Peters, do partido Democrata de Michigan, e Richard Blumenthal, Democrata de Connecticut, formalizado em junho de 2025. Os congressistas queriam esclarecimentos sobre os números repetidamente divulgados pelo DOGE desde o início do governo Trump.
Segundo o relatório, das 15.887 verbas que o DOGE declarou como encerradas, 13.553 não trouxeram informações mínimas que permitissem verificar o método de cálculo ou a composição das economias. Isso corresponde a aproximadamente 96% do total de cortes anunciados pelo departamento. Em valores absolutos, a pasta chegou a afirmar uma economia de 49,2 bilhões de dólares apenas com o cancelamento dessas verbas — quantia que, na prática, não pôde ser comprovada pelos auditores.
A conclusão do GAO reforça análises anteriores feitas por órgãos independentes e veículos de imprensa, que já apontavam forte inflação nos números apresentados pelo DOGE. Críticos da iniciativa argumentam que a opacidade dos dados impede a população e os próprios parlamentares de avaliarem se os cortes de fato trouxeram benefícios aos contribuintes ou se serviram principalmente como peça de comunicação política.
O episódio também reacende o debate sobre a confiabilidade das estatísticas oficiais divulgadas pelo governo americano e sobre os limites do controle externo sobre as ações do Departamento de Eficiência Governamental. Até o momento, o DOGE não havia se pronunciado publicamente sobre o conteúdo do relatório.
Fonte: Ars Technica

