O senador Bernie Sanders apresentou na última quinta-feira um projeto de lei revolucionário que pretende taxar empresas de inteligência artificial para distribuir parte dos lucros aos cidadãos norte-americanos. A proposta estabelece que o governo ficaria com 50% de participação nessas empresas, permitindo um pagamento anual de aproximadamente US$ 1.000, equivalente a R$ 5.130, para cada americano.
Sanders argumenta que as inteligências artificiais representam um recurso público, pois seu valor econômico deriva diretamente da inteligência coletiva da humanidade. Livros, músicas, códigos de programação, conversas e obras de arte são alguns dos exemplos citados pelo senator para justificar sua posição. O projeto defende que o conhecimento herdado da humanidade deve beneficiar a todos, não apenas um grupo seleto de investidores.
O crescimento das ferramentas de inteligência artificial tem sido exponencial. O ChatGPT alcançou a marca de 1 bilhão de usuários mensais ativos em maio, tornando-se o aplicativo que mais rapidamente atingiu essa quantidade de pessoas. Diante desse avanço, Sanders expressa preocupação com a substituição de trabalhadores humanos por máquinas, que utilizam conhecimentos adquiridos de pessoas comuns para enriquecer poucas pessoas.
Como comparação, o senator menciona o Alaska Permanent Fund, criado há 50 anos a partir das receitas do petróleo do estado. Os moradores do Alasca recebem dividendos anualmente, sendo US$ 3.284 em 2022, US$ 1.312 em 2023, US$ 1.702 em 2024 e US$ 1.000 previstos para 2025. O projeto de Sanders propõe um fundo soberano ainda maior, com valor estimado em US$ 7 trilhões, que beneficiaria todos os cidadãos americanos.
O texto cita opiniões de grandes nomes do setor de tecnologia que são favoráveis a soluções similares. A OpenAI, criadora do ChatGPT, propôs um Fundo de Riqueza Pública que garantiria a todos os cidadãos participação no crescimento econômico impulsionado pela inteligência artificial. A Anthropic, responsável pelo assistente Claude, sugeriu um fundo soberano para moldar o comportamento do setor e distribuir de forma mais equitativa a riqueza derivada da IA. Elon Musk propôs uma renda básica universal via cheques emitidos pelo governo federal para lidar com o desemprego causado pela inteligência artificial.
Em um tuíte publicado em abril deste ano, Musk afirmou que essa renda básica não teria impacto na inflation, pois a inteligência artificial e a robótica produziriam bens e serviços muito acima do aumento da oferta monetária. No entanto, o bilionário já se mostrou contrário às políticas de Sanders, chamando o senator de "personagem do xerife malvado" da história de Robin Hood por querer taxar grandes fortunas. Em dezembro, Musk escreveu que sua riqueza só aumenta porque suas empresas geram produtos e serviços úteis, diferenciando-se dos políticos que apenas taxam sem criar.
Conforme a inteligência artificial e outros setores tecnológicos continuarem evoluindo, é esperado que esses debates sobre distribuição de riqueza e taxation se intensifiquem nos próximos anos.
Fonte: Livecoins
