Há mais de um século, o combate a incêndios depende exclusivamente de água e produtos químicos. Embora esses métodos possam prevenir catástrofes, os custos de limpeza e reparação costuma ser elevados. Uma startup sediada em Ohio, nos Estados Unidos, acredita ter encontrado uma alternativa mais eficiente: um sistema de proteção contra incêndios alimentado por ondas sonoras, capaz de extinguir chamas em questão de segundos sem gerar os danos materiais associados aos métodos tradicionais.
A Sonic Fire Tech anunciou nesta semana a conclusão de uma rodada de financiamento de 15 milhões de dólares, liderada pelo fundo O.H.I.O., com participação da venture capital Khosla Ventures. A empresa já havia captado 3,5 milhões de dólares em uma rodada inicial em outubro do ano passado. Os recursos serão utilizados para expandir a equipe de funcionários e conduzir os testes necessários para obter a certificação da Associação Nacional de Proteção contra Incêndios dos Estados Unidos, entidade responsável por elaborar os códigos adotados pelos corpos de bombeiros de todo o país.
O processo de aprovação normalmente exige cerca de três anos, mas o diretor presidente e um dos fundadores, Geoff Bruder, acredita que o trâmite da Sonic Fire Tech será significativamente mais rápido. Um dos motivos para esse otimismo é o fato de que o sistema não deixa resíduos após a ação supressora, o que facilita os procedimentos laboratoriais. "Não precisam fazer limpeza depois", explicou Bruder em entrevista.
O funcionamento do sistema baseia-se em um gerador acústico que emite ondas sonoras em frequências ultrassônicas através de canos de PVC instalados no teto. Quando sensores detectam a presença de fogo em um ambiente, o gerador entra em ação e emite ondas infrassônicas, aproximadamente a 20 hertz, que atingem as chamas diretamente. "Somos a única tecnologia que cria seu próprio agente supressor sem causar danos colaterais. Alarmes falsos são menos preocupantes para nós", afirmou o diretor operacional, Remington Bixby Hotchkis.
A resposta quase instantânea do sistema representa uma vantagem importante para evitar que os incêndios causem danos expressivos. Essa característica chamou a atenção do setor de seguros, com quem a startup já mantém conversas para avaliar a possibilidade de oferecer descontos nos prêmios para imóveis protegidos pela tecnologia. A aceitação por parte das seguradoras pode acelerar significativamente a adoção comercial do produto.
A solução também demonstrou resultados promissores no combate a incêndios causados por baterias de íon-lítio, consideradas extremamente difíceis de extinguir pelos métodos convencionais. Nos poucos testes realizados até agora, a empresa conseguiu não apagar completamente esse tipo de incêndio, mas contê-lo. "Se conseguirmos evitar que o invólucro externo entre em chamas, podemos potencialmente impedir a propagação de célula para célula e limitar o tamanho do fogo", explicou Bruder.
A empresa desenvolve sistemas voltados à proteção interna de edificações comerciais, cozinhas industriais e residências, tanto para construções novas quanto para retrofitting. Também há um projeto em andamento para proteger exteriores de imóveis em áreas suscetíveis a incêndios florestais, embora o progresso tenha sido mais lento devido à espera por vagas em laboratórios de teste adequados.
Dados do setor indicam que cerca de 75% das cozinhas comerciais não conseguem reabrir após um incêndio, enfrentando meses de restauração. Bruder destaca que 50% dos incêndios residenciais começam na cozinha, sejam eles causados por gordura ou falhas elétricas. Um sistema compacto focado nesse ambiente poderia reduzir consideravelmente o risco de incêndios catastróficos nas residências. "Os sistemas de sprinklers que são instalados atualmente não conseguem controlar esses tipos de fogo", completou o executivo.
Fonte: TechCrunch

