Quem frequenta cinemas hoje em dia percebe que a experiência de assistir a um filme vai muito além de simplesmente escolher o longa-metragem. Além da sessão tradicional, que já oferece tela maior e som superior ao que temos em casa, existem opções premium como Dolby Cinema e IMAX, duas tecnologias que podem confundir muitos espectadores.
A principal diferença entre elas está no objetivo de cada formato. Enquanto o IMAX prioriza a grandiosidade, com telas imensas e processos de filmagem especializados, o Dolby Cinema apuesta pela precisão, com sistemas de áudio espaciais detalhados e tecnologia de alta dinâmica range (HDR) proprietária.
O IMAX foi originalmente criado para documentários sobre natureza, mas acabou conquistando cineastas de blockbusters. O que torna o formato único é a conexão entre a câmera e a sala de cinema. Segundo Bruce Markoe, vice-presidente sênior do IMAX, o footage dedicado é filmado em película 65mm no formato 1.43:1, com 15 perfurações, utilizando câmeras especializadas. A mais recente câmera IMAX é chamada de Keighley, recentemente vista nas gravações de The Odyssey, de Christopher Nolan.
Os filmes para IMAX também podem ser produzidos através de um fluxo digital otimizado para o formato, editados em proporção de aspecto 1.90:1. Quando um filme é gravado em película IMAX, pode ser rotulado como "shot with IMAX", enquanto quem usa o fluxo digital-first pode afirmar que foi "filmed for IMAX". Todo conteúdo passa por um processo de remasterização digital chamado DMR para garantir a melhor qualidade visual.
As salas IMAX são construídas especificamente para o formato, com geometria especial, posicionamento específico de caixas de som e, claro, aquela tela colossal curva que vai do chão ao teto. Ao todo, existiam apenas 1.829 telas IMAX no mundo até o final de 2025, com uma lista de espera para novas instalações.
Do outro lado, o Dolby Cinema combina o sistema Dolby Atmos com a especificação de projeção Dolby Vision. O Dolby Atmos misturam o áudio tradicional baseado em canais com uma mixagem orientada por objetos, onde cada som é rastreado como seu próprio objeto em um espaço virtual tridimensional. O formato comporta até 118 objetos espaciais além de uma base de áudio de 9.1 canais.
Para acomodar essa mixagem espacial, os cinemas Dolby Cinema são construídos especificamente para o formato, com até 64 alto-falantes instalados na frente, nas laterais, atrás e acima do público. O resultado é uma imersão sonora onde cada explosão parece acontecer ao lado do espectador.
O Dolby Vision, por sua vez, é a marca da empresa para HDR. A tecnologia aprofunda os níveis de contraste para produzir pretos intensos e cores mais vibrantes. Como os projetores convencionais de cinema não conseguem produzir tons pretos profundos, tendendo a parecer acinzentados, o Dolby Vision utiliza um projetor laser especializado que entrega taxas de contraste de até 1.000.000:1.
Cineastas como Christopher Nolan (Oppenheimer, The Odyssey) e Ryan Coogler (Sinners) defendem o IMAX para tornar suas histórias maiores que a vida. Já Guillermo del Toro (Frankenstein) e James Cameron (Avatar: Fire and Ash) abraçaram o Dolby Cinema. Muitos filmes são lançados em ambos os formatos, leaving a decisão final para o espectador.
