O governo indiano decidiu bloquear temporariamente o aplicativo de mensagens Telegram até o dia 22 de junho, como medida para garantir a integridade da repescagem de um importante exame de admissão para cursos de medicina. A decisão foi tomada após a descoberta de que respostas da prova haviam sido vazadas previamente na plataforma.
A Agência Nacional de Testes (NTA) anulou os resultados do exame NEET (exame de entrada para faculdades de medicina) após investigadores encontrarem evidências de que grandes trechos da prova foram circulados em canais do Telegram antes da aplicação do teste. Canais com nomes como "Prova Vazada NEET" ofereciam acesso às questões em troca de dinheiro.
Cerca de 2,28 milhões de estudantes, muitos dos quais se prepararam durante anos, participaram do exame no dia 3 de maio deste ano. Este ano, o Conselho Central de Educação Secundária (CBSE) introduziu um sistema de correção digital para avaliar as milhões de folhas de respostas. No entanto, o contrato foi concedido a uma empresa controversa, e após a divulgação dos resultados, os estudantes passaram a identificar discrepâncias preocupantes.
Um estudante que obteve uma digitalização de sua folha de respostas descobriu que o documento não era sequer o dele. "Estudei durante um ano inteiro. E agora nem sei se minha verdadeira prova de Física foi corrigida", escreveu em uma publicação na rede social X.
As reclamações se multiplicaram, e outro estudante expôs vulnerabilidades de segurança no portal de correção, afirmando ter conseguindo acessar o sistema e alterar notas. Diante da situação, a Fundação Internet Liberdade criticou o bloqueio ao Telegram como uma "solução temporária" e uma resposta desproporcional à fraude nos exames. "O bloqueio ao Telegram é reativo e ineficaz, e punirá usuários comuns em vez de abordar a fonte sistêmica dos vazamentos de provas", declarou a organização em nota.
O sistema de exames na Índia foi classificado como "quebrado e corrupto" pelo principal líder da oposição do país. Essa questão foi o que inicialmente provocou indignação e protestos estudantis contra o primeiro-ministro Narendra Modi.
O bloqueio afeta o maior mercado do Telegram, estimado em cerca de 84 milhões de usuários.
