Imagine uma franquia de filmes de terror que estreou em 1980 e conquistou públicos por décadas a fio. Uma saga que gerou incontáveis continuações, se espalhou por jogos de fliperama, virou jogo de tabuleiro e ainda deu origem a uma infinidade de produtos, desde despertadores e lancheiras até fantasias de Dia das Bruxas e bonecos de ação. Tamanho foi o fenômeno que até cópias não autorizadas das fantasias do personagem principal apareceram em lojas de artigos para festas. Por muitos anos, essa marca exerceu uma influência marcante, ainda que decrescente, sobre o universo do horror.
Mas se você nunca ouviu falar de Campo Miasma, não se preocupe: ela simplesmente não existe. Trata-se de uma franquia fictícia, criada para servir como universo ficcional dentro do universo igualmente inventado do filme Adolescentes, Sexo e Morte em Campo Miasma, uma produção cinematográfica cuja história serve de base para uma reportagem sobre design de produção assinada pelo veículo The Verge.
A escolha não foi por acaso. Ao construir um longa-metragem de terror ambientado em um acampamento de verão fictício, a direção de arte teve o desafio de reconstruir, do zero, um universo visual que evocasse décadas de história do cinema de matança. Cada uniforme, cabana, lago e cenário precisava carregar consigo o peso de uma tradição cultural inexistente, mas crível o bastante para confundir o espectador desavisado.
O resultado é uma homenagem metalinguística ao próprio gênero, que ganha camadas quando analisado sob a ótica cenográfica. Em vez de recorrer a marcas reais do passado, o longa aposta na criação autoral de um imaginário familiar, mas jamais visto. O espectador reconhece o estilo, as convenções e os clichês, sem conseguir apontar de onde eles vêm.
Esse tipo de construção fictícia é uma estratégia cada vez mais comum no cinema contemporâneo, que busca tanto evitar processos judiciais por direitos autorais quanto oferecer novas mitologias para audiências saturadas de reboots e sequelas. Campo Miasma, nesse contexto, funciona como um espelho: reflete todo um gênero, sem pertencer a ele.
Fonte: The Verge

