O Bitcoin continua pressionado e mantém-se em torno dos US$ 62 mil nesta sexta-feira (5), evidenciando um momento delicado para o mercado de criptomoedas. A semana atual caminha para registrar o pior desempenho desde julho de 2024, refletindo a combinação de fatores geopolíticos, movimentos institucionais adversos e um volume reduzido de negociações que sustentam o tom bearish no setor.
Desempenho das principais criptomoedas nesta sexta
Na manhã de hoje, a maior criptomoeda do mundo apresenta leve recuo de 0,2%, sendo negociada a US$ 62.505 em 24 horas. No Brasil, o Bitcoin opera em torno de R$ 317.351, conforme dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum registra queda mais expressiva, desvalorizando-se 3,4% e sendo cotado a US$ 1.674. Entre as demais altcoins, o XRP recua 1,2%, a Solana tem baixa de 2,3% e apenas a BNB apresenta movimento positivo, com alta de 0,6%.
Pressão externa: Broadcom e mercado de ações
O gatilho para a pressão adicional desta sexta-feira Origina-se fora do setor de criptomoedas. A Broadcom revelou sua previsão trimestral para chips de inteligência artificial abaixo das elevadas expectativas do mercado na quarta-feira, interrompendo uma sequência de meses de altas nas ações de semicondutores. Este resultado desencadeou quedas significativas nas bolsas asiáticas, enquanto os índices futuros norte-americanos operam no negativo nesta manhã.
Colapso das altcoins que resistiam
Mesmo as criptomoedas que vinham demonstrando resiliência nesta semana de perdas generalizadas nãoescaparam do movimento de correção. A Hyperliquid, que acumulava fortes altas e caminhava para ser uma das poucas com ganhos semanais, desabou e registra queda de 2% nos últimos sete dias. A narrativa de que tokens com alto fluxo de caixa estavam se valorizando enquanto o restante sofria baixas também não perdurou: o Zcash, que até ontem permanecia como o único outro token em alta, despencou nesta sexta e revertheu toda a valorização acumulada nos dias anteriores.
Fatores estruturais agravam a situação
O panorama estrutural do mercado também apresenta desafios significativos. Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos completaram 13 sessões consecutivas de saídas líquidas, totalizando aproximadamente US$ 4,4 bilhões em perdas desde meados de maio. A Strategy, maior holding corporativa de Bitcoin, anunciou no início da semana sua primeira venda da criptomoeda desde 2022, alienando 32 BTC para financiar obrigações de dividendos de ações preferenciais. Esses dois fluxos combinados eliminaram a força de compra institucional que sustentou o Bitcoin durante a maior parte dos últimos 18 meses.
O próximo teste: relatório de empregos dos EUA
O mercado agora volta suas atenções para o relatório de empregos dos EUA (payroll), которое será liberado nesta sexta-feira. Um resultado fraco poderia reacender as expectativas de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve sob a gestão de Kevin Warsh, pressionando os rendimentos reais para baixo e potencialmente impulsionando as ações novamente, com efeito positivo sobre as criptomoedas. Por outro lado, um resultado positivo tenderia a reforçar o cenário de estabilidade monetária atual, mantendo a pressão sobre o mercado de ativos digitais.
