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Estágio de foguete da SpaceX em rota de colisão com a Lua preocupa cientistas e levanta alertas sobre futuras bases lunares

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Um segmento do foguete Falcon 9, fabricado pela empresa norte-americana SpaceX, encontra-se à deriva no espaço desde o início de 2025 e tem colisão prevista com a superfície lunar nesta quarta-feira, por volta das 6h34, no horário de Brasília. O impacto, calculado com base em projeções orbitais, deve ocorrer nas proximidades da cratera chamada Einstein, localizada na borda ocidental do lado da Lua voltado para a Terra, com visibilidade privilegiada para observadores das Américas.

O corpo do foguete, com massa aproximada de quatro toneladas, foi abandonado após cumprir a missão de transportar dois módulos de pouso lunar. Por não dispor de combustível suficiente para retornar à atmosfera terrestre ou se inserir em uma órbita estável ao redor do planeta, o equipamento permaneceu vagando em trajetória caótica. Estima-se que a colisão aconteça a cerca de 5,4 mil quilômetros por hora, o equivalente a sete vezes a velocidade do som, o que provocará uma explosão da ordem de três toneladas de dinamite, diante da ausência de atmosfera que pudesse frear o projétil.

A cratera resultante deve alcançar diâmetro de até 27 metros e profundidade de aproximadamente cinco metros. Embora o impacto em si não seja perceptível a olho nu, astrônomos amadores com telescópios potentes podem conseguir visualizar a nuvem de poeira ejetada por alguns minutos após a colisão. A comunidade científica acompanha o evento com atenção redobrada por se tratar de uma oportunidade rara de calibrar instrumentos de medição.

O episódio não é o primeiro do tipo. Em março de 2022, um estágio do foguete chinês Longa Marcha 3C atingiu o satélite natural, abrindo uma cratera de 29 metros de largura. Com a intensificação da corrida espacial e a multiplicação de missões não tripuladas planejadas por diversas nações, cresce a apreensão em torno da crescente quantidade de detritos acumulados na órbita lunar.

Bill Gray, desenvolvedor do projeto Plutão, uma iniciativa de monitoramento de órbitas de asteroides, cometas e satélites artificiais, foi pioneiro no cálculo da trajetória do Falcon 9 e também participou da elaboração de um estudo recente que detalha o impacto. De acordo com a pesquisa, o evento funciona como um ensaio valioso para aperfeiçoar sistemas de localização sísmica de colisões e para avaliar os múltiplos perigos que os resíduos espaciais representam para futuras infraestruturas e astronautas no solo lunar.

Enquanto Estados Unidos e China projetam erguer bases permanentes na Lua nas próximas décadas, especialistas reforçam a necessidade de mapear os riscos já existentes. Benjamin Fernando, pesquisador do Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México, e coautor do estudo, destaca que a frequência de colisões tende a aumentar. Segundo ele, à medida que mais astronautas e equipamentos forem enviados à superfície, será indispensável dimensionar a periculosidade desses eventos e desenvolver estratégias de proteção.

O pesquisador lembra que os riscos não se limitam ao impacto direto, capaz de danificar estruturas e ferir pessoas, mas incluem também a exposição a clarões intensos e a nuvens de fragmentos ejetados, que podem comprometer o funcionamento de espaçonaves em órbita lunar. A Agência Espacial Norte-americana pretende lançar, nos próximos anos, as primeiras missões do programa Artemis voltadas à construção de um centro de pesquisa lunar, com expectativa de ocupação humana sustentada em um horizonte de pelo menos uma década. Até lá, os cientistas terão tempo para estudar o fenômeno e estabelecer protocolos adequados de segurança.

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