Você ou alguém próximo já passou pela experiência de aguardar meses para obter a aprovação do plano de saúde para um tratamento recomendado pelo médico? Essa realidade, comum a milhões de pacientes, envolve um processo chamado autorização prévia, que funciona como uma barreira para evitar gastos excessivos com procedimentos ou medicamentos que possuem alternativas mais acessíveis no mercado.
O sistema, quando bem aplicado, cumpre papel importante no controle de custos da saúde suplementar. No entanto, a morosidade nas aprovações tem gerado consequências graves. Muitos pacientes desistem dos tratamentos enquanto esperam a análise do convênio, o que pode agravar quadros de saúde. Quando a negativa chega, a única saída é entrar com recurso administrativo, processo que demanda ainda mais tempo e energia.
A inteligência artificial surge como possível solução para esse impasse. Com capacidade de processar grandes volumes de dados em poucos segundos, os sistemas de IA poderiam analisar requests de autorização de forma muito mais ágil, identificando rapidamente casos que atendem aos critérios de cobertura e acelerando a liberação de tratamentos que não apresentam ambiguidade.
Contudo, a proposta enfrenta forte resistência. Uma pesquisa realizada em 2025 pela Associação Médica Americana revelou que 61% dos médicos brasileiros e norte-americanos temem que a inteligência artificial piore o cenário de negações de cobertura. Os profissionais apontam que, em vez de agilização, a automatização pode aumentar os erros nas análises, resultando em negatórias indevidas de tratamentos necessários.
Especialistas alertam que a implementação de sistemas de inteligência artificial na autorização prévia exige transparência nos critérios utilizados e possibilidade de revisão humana, sob pena de transformar um processo já problemático em algo ainda mais prejudicial aos pacientes.
Fonte: Ars Technica
