Um ataque sofisticado atingiu o ecossistema de finanças decentralizadas no último domingo, deixando um rastro de destruição no valor de R$ 30 milhões. A plataforma de empréstimos Tectonic, operada na rede Cronos, foi a vítima de uma manobra elaborada que manipulou artificialmente o preço de sua moeda nativa, o TONIC, em impressionantes 100 vezes em apenas 20 minutos.
O invasor explorou a garantia inflada para contrair empréstimos de ativos mais líquidos, drenando aproximadamente US$ 75 milhões do sistema. A estratégia consistiu em bombear o valor da moeda digital e, em seguida, utilizar essa valorização falsa como garantia para obter fundos reais de maior liquidez.
Diante da gravidade da situação, os validadores da rede Cronos — infraestrutura criada pela corretora Crypto.com — tomaram uma medida drástica: paralisaram toda a cadeia de blocos minutos após a invasão. Em seguida, executaram uma reversão de blocos, conseguindo recuperar US$ 68,7 milhões que ainda permaneciam na plataforma.
Porém, cerca de US$ 6 milhões já haviam sido transferidos para a rede Ethereum antes da pausa, recursos que seguem sob controle do invasor. O valor roubado equivale a aproximadamente R$ 30 milhões, considerando a cotação do dólar a 5,14. A produção de blocos foi retomada apenas na segunda-feira seguinte, quando os validadores finalizaram o retorno ao estado anterior ao ataque.
Em pronunciamento nas redes sociais, o executivo-chefe da Cronos, Ryan Wyatt, explicou a decisão. "A rede foi interrompida por consenso dos validadores para proteger os usuários após a exploração do Tectonic. Isso foi considerado necessário para evitar que mais pessoas fossem prejudicadas. A cadeia está novamente operacionais, e os serviços serão restaurados em breve", informou Wyatt.
Até esta terça-feira, no entanto, a rede Cronos ainda não havia publicado uma análise detalhada sobre o incidente. As investigações prosseguem com a participação de corretoras e empresas especializadas em rastreio de ativos digitais, que tentam localizar e devolver os fundos roubados.
O episódio evidencia como plataformas de altcoins podem pausar suas operações e reverter o histórico de suas cadeias de blocos quando ameaçadas. Essa capacidade de intervenção, porém, levanta debates sobre a descentralização dessas redes.
Segundo levantamento da empresa de inteligência TRM Labs, os ataques de manipulação de preços em plataformas de empréstimo alcançaram números recordes em 2026. A principal vulnerabilidade identificada foi a aceitação de garantias ilíquidas ou manufacturedas. O ano registrou 32 ataques desse tipo, o maior volume já contabilizado em um único ano.
O caso da Tectonic figura como o terceiro maior ataque de manipulação de preços da história das moedas digitais, perdendo apenas para a invasão à Cetus em maio de 2025 e o ataque à Mango Markets em outubro de 2022. Entre os incidentes recentes de 2026, destacam-se a invasão à Drift Protocol em abril, que resultou no roubo de US$ 285 milhões através de uma moeda digital manufactureda aliada a falhas de governança, e o ataque à Moonwell na Base em agosto, com perdas de US$ 8,7 milhões.
A autoria da invasão ao Tectonic permanece desconhecida, e as investigações continuam em andamento.
Fonte: Livecoins

