A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta quarta-feira a Operação Pizzo, resultando na prisão de um indivíduo suspeito de praticar inúmera ameaças contra gestores empresariais de Porto Alegre e demais municípios estaduais. O esquema criminoso solicitava a quantia de 10 bitcoins, correspondendo a aproximadamente R$ 3,1 milhões na cotação vigente, como condição para evitar a exposição de informações confidenciais das vítimas.
A denominação "Pizzo" remete a um método de chantagem tradicionalmente associado à máfia italiana, evidenciando o padrão de funcionamento do esquema. As apurações foram iniciadas após uma das vítimas registrar ocorrência relatando estar sendo extorquida. Na ocasião, ela e seus familiares foram inseridos automaticamente em um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp. O suspeito enviou uma comunicação declarando possuir dados sigilosos dos alvos, supostamente obtidos mediante supostas conexões com órgãos governamentais e colaboradores infiltrados em suas respectivas empresas.
Para evitar que esses dados fossem comercializados com terceiros ou tornados públicos na internet, o suspeito condicionava o pagamento de 10 bitcoins, classificado por ele próprio como uma "taxa de anonimato e proteção". "Os autores das ameaças demonstraram domínio aprofundado sobre informações pessoais da família, rotinas diárias, dados internos corporativos, incluindo funcionários, clientes e parceiros comerciais, o que evidencia a gravidade das intimidações", relatou a autoridade policial.
Prosseguindo com as investigações, a Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais, vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, analisou dados telemáticos para identificar o suspeito. Os investigadores apuraram que um único aparelho celular operava com múltiplos chips de diferentes usuários, cadastrados em nomes de terceiros para dificultar a localização do responsável. "A investigação revelou, portanto, um núcleo criminoso organizado, especializado na captação de informações privilegiadas obtidas no exercício de funções profissionais, elaboração de dossiês com informações falsas e uso de recursos digitais para execução das ameaças", explicou a PCRS.
O capturado, cujo nome não foi divulgação, trabalha como engenheiro para um grande grupo varejista do setor supermercadista, cujos proprietários também foram alvos da extorsão. Conforme a polícia, uma das vítimas seria um idoso aposentado de grande prestígio social em Porto Alegre, que tratava o suspeito como filho devido à longstanding amizade com o genitor do indagado. "O suspeito ainda se utilizou dos dados desse senhor para registrar números telefônicos e endereços eletrônicos, visando aplicar golpes em outros empresários, incriminando-o como principal suspeito do delito", pontuou a corporação.
Outra vítima tratava-se de uma arquiteta que mantinha amizade com a esposa do suspeito. Esse relacionamento foi explorado para obter informações privilegiadas sobre o alvo. Ao todo, a Polícia Civil calcula que as extorsões provocaram prejuízos de R$ 10 milhões. "A exigência era inequívoca: o pagamento deveria corresponder a aproximadamente R$ 4 milhões em uma plataforma de moedas digitais, sob risco de os dados serem comercializados ou expostos publicamente", detalhou o balanço policial.
Além da captura do investigado, as autoridades cumpriram sete mandados judiciais nos municípios de Gravataí e Viamão, onde apreenderam equipamentos eletrônicos, telefones móveis, chips de telefonia, documentos em suporte físico e digital, entre outros materiais probatórios.
Fonte: Livecoins
