A tecnologia DLSS 5, da empresa Nvidia, chegou ao mercado no dia 3 de setembro como uma das inovações mais aguardadas e também mais polêmicas dos últimos anos no universo dos jogos eletrônicos. Disponível exclusivamente para as placas de vídeo da série RTX 50, a ferramenta foi lançada inicialmente com apenas um título: NBA 2K27.
O conceito por trás do DLSS não é completamente novo. Há anos, essa tecnologia utiliza modelos de inteligência artificial para aumentar a taxa de quadros nos jogos, preenchendo detalhes que não são renderizados nativamente pixel a pixel. No entanto, a quinta geração vai muito além. Como a Nvidia anunciou em março, o sistema agora é capaz de adicionar iluminação e materiais mais realistas a uma cena em tempo real, redesenhando ativamente aspectos visuais como luz, texturas e expressões faciais dos personagens conforme o jogo roda.
A empresa classificou o anúncio como um momento histórico, comparable ao maior avanço gráfico desde a introdução do ray tracing em tempo real, em 2018. Segundo a Nvidia, a novidade devolve aos desenvolvedores o controle criativo, oferecendo controles deslizantes para ajustar o nível de intervenção da inteligência artificial, permitindo desde preservar os rostos dos personagens até aprimorar apenas detalhes do fundo.
A controvérsia começou ainda durante a revelação da tecnologia em uma demonstração técnica do jogo Resident Evil: Requiem. A versão aprimorada pela inteligência artificial da personagem Grace Ashford ficou tão diferente do original que gerou uma onda de memes nas redes sociais, com críticos denominando a transformação como uma "yassificação" do personagem. Muitos jogadores argumentam que ninguém pediu para a inteligência artificial redesenhar a direção artística dos jogos.
Do outro lado, defensores da tecnologia destacam um salto legítimo tanto no desempenho quanto na fidelidade visual, especialmente em jogos esportivos e títulos fotorrealistas. Para esses usuários, o DLSS 5 produz resultados tão bons quanto a habilidade do operador permite, e as imagens consideradas ruins seriam resultado de configurações excessivamente agressivas.
No aspecto técnico, a tecnologia não é gratuita em termos de desempenho. A própria Nvidia calcula que o DLSS 5 consome entre 50 e 60 por cento do desempenho da placa de vídeo, compensado por uma geração agressiva de quadros adicionais. A empresa afirma que até mesmo uma placa intermediária como a RTX 5060 pode executar o NBA 2K27 em resolução 1080p com ray tracing e DLSS 5 no máximo, porém apenas com um processador de alto desempenho e a geração de quadros multiplicada por seis, o que significa que a placa de vídeo gera cinco de cada seis quadros exibidos.
O custo do hardware necessário também levanta preocupações. A RTX 5090, utilizada nas demonstrações originais da Nvidia, custa dois mil dólares na versão nova, mas está sendo revendida por duas a três vezes esse valor no mercado secundário devido à escassez. Mesmo a placa intermediária RTX 5060 sofreu aumento de preço, com versões mais acessíveis custando acima de quatrocentos dólares. Assim, embora a Nvidia afirme que a tecnologia torna acessível jogos com ray tracing e altas taxas de quadros em placas intermediárias, o próprio segmento intermediário se tornou significativamente mais caro.
O futuro do DLSS 5 dependerá de quantos desenvolvedores adotarem a tecnologia e de como utilizam os controles granulares para evitar que a inteligência artificial substitua suas próprias decisões artísticas. Por enquanto, a única forma de avaliar personalmente a novidade é experimentar o NBA 2K27 no dia 3 de setembro, alternando a configuração. Alternativamente, é possível acompanhar os resultados controversos sendo compartilhados nas redes sociais neste momento.
Fonte: Mashable

